segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Moda, Arte, Estética Negra: bonito sim, mas com a cuca cheia!


Desde pequena gosto de moda. De ver como as pessoas se vestem, de observar penteados (quando existem, porque hoje, a maioria das mulheres passa a chapinha e chama isso de penteado, minha avó fica louca com isso, rs!), de desenhar roupas em bonequinhos de papel que eu fazia representando pessoas e estilos, ver observar e sonhar com as roupas que apareciam em revistas que eu lia como a "Capricho". Ah, eu era louca por Paper Doll, sabe aqueles livrinhos? Pena que minha mãe comprava pouco. Ela devia ter mais com que gastar o dinheiro, obviamente, por isso, fazia meus desenhos. 

Já adulta descobri a editora Dover dos Estados Unidos que, além de possuir livros sobre arte muito acessíveis, também tem um vasto repertório de paper dolls, inclusive com a representação de pessoas e famílias negras. É possível encontrar e encomendar estes livros na Livraria Cultura.

Também recebia encomendas das vizinhas e amiguinhas e cheguei a ter uns 300 desenhos ou mais. Criava personagens e roupas, e só mais tarde,  me dei conta de que esses desenhos, em sua maioria, representavam pessoas brancas. Estava reproduzindo o universo midiático que tinha acesso (Show da Xuxa, a tal revista etc.) e nem me dava conta. Era, como ainda o é, naturalizado só ver brancos na televisão e nas revistas. Depois que comecei a ver propagandas da Benetton que percebi que isso era meio estranho. Não havia esta discussão na minha casa e em local algum que eu frequentava. E parecia não ser um problema, entretanto, a falta de referências é um enorme problema sim. É bem triste, diga-se de passagem, é violento. Minha irmã e eu, me lembro bem disso, tínhamos visto uma modelo negra em um catálogo da Benetton e ela se tornou, por muito tempo, nossa referência de beleza, a que se parecia conosco.

As propagandas da grife italiana Benetton sempre demonstraram que moda e reflexão social podem caminhar juntas. Sem mencionar que a mesma compreende que o seu público alvo é a humanidade, a diversidade das populações sempre foi foco de suas campanhas.

Mas, voltando ao tema deste texto. Eu tinha e tenho algumas Barbies. Antes só tinha brancas até um namorado, comigo já na universidade, me presentear com uma Barbie black power e que era modelo por profissão (com maletinha de maquiagem e tudo). Eu adorei e comecei a procurar outras. Comprei toda a coleção da S.I.S., série especial de Chicago, lindas!!! Por sua vez, os cabelos desta coleção são todos  bem compridos, não há produto de beleza que faça isso, minha gente! Vamos parar de querer aplicar cabelos de mulheres brancas nas mulheres negras para que elas se aproximem de um dado padrão de beleza e sensualidade. Puxa... Isso me entristeceu... Apesar de ser um passo.
Bonecas da coleção Sister in Soul da série Barbie. Idealizadas por uma designer negra norte-americana, o único pecado da iniciativa é a valorização exacerbada do padrão mulher negra de cabelos lisos, nenhuma delas possui cabelos crespos. Assim, não há uma tentativa real de mudança de pensamentos sobre o padrão de beleza. Ouvi do Prof. Nelson Inocêncio (UNB) que não sei que personalidade disse que "a mulher ideal é uma negra numa embalagem branca". Bom, é quase isso, a não ser pelas feições das bonecas e seus quadris que são mais próximos da realidade corporal das mulheres negras.

Na Feira Preta, ocorrida no final de semana de 17 e 18 de dezembro, no Centro de Convenções da Imigrantes, fui convidada pelo Nabor Júnior, amigo e fundador da O Menelick 2ºato, revista da qual faço parte do conselho editorial e escrevo trimestralmente, para mediação da mesa "Moda AfroUrbeBrasileira", aprofundando as questões levantadas no texto que foi publicado na edição número 06 da revista, focando o trabalho do estilista, artista plástico Jaergenton. Além do "Tom", estava presente nesta mesa a estilista Tenka Dara que desenvolveu as peças de sua grife Baobá. 

O convite da excelente mesa redonda ocorrida na Feira Preta no dia 18, com a participação dos estilistas Jaergenton e Tenka Dara.

A tentativa da mesa foi a de dialogar sobre a existência de uma possível moda no Brasil que se preocupa com conceitos que se aproximam da estética africana ou da afro-brasileira. Ou seja, onde possamos encontrar elementos que se remetam às tradições afro-brasileiras, sejam tendo o maracatu ou a capoeira como referências criativas, seja pensando na cidade e na cultura afro-urbana, por exemplo, o hip hop ou extintos bailes "black" como norteadores de um estilo. 
Foi muito interessante notar como, de modo geral, a falta de referências positivas foi o que detonou o agente criativo no Tom e, de alguma forma, na Tenka, ainda que, no caso dela, pode-se perceber isso pelo nome da bela, a cultura africana e afro-brasileira fizeram parte de sua formação desde a infância. Assim, desde pequena, as suas trancinhas eram foco de estranhamento, mas também de admiração devido à originalidade e beleza das mesmas.
Não chegamos a nenhuma conclusão, porém, como bem lembrou Tom, é interessante observar que a Feira Preta, pela primeira vez, promoveu uma conversa significativa sobre moda e estética voltadas ao público afrodescendente no Brasil. Interessante porque esta edição já é a 10º. Por que, então, não se falou sobre isso até agora? Acredito que está na hora de ultrapassarmos a fase do estético, isto é, vamos nos sentir bonitos sim, valorizarmos o que a propaganda do xampu não valoriza, quando se mostram cabelos, no mínimo eles são cacheados,  mas vamos expandir este auto-conhecimento. Desculpem, há uma variedade de negros, mas certamente, não são todos de cabelos cacheados como os de Taís Araujo. Falta a representação sim dos negros de cabelos crespos, narizes largos, bocas grandes, mulheres com sustância. Falta exibir e contemplar uma diversidade negra para além da cópia do modelo de negro belo importado dos Estados Unidos, onde, por exemplo, quase todas as cantoras que têm visibilidade na mídia, possuem cabelos colocados. Mcgray e Erikah Badu são exceções. São negras dos cabelos crespos.

Erikah Badu: a cantora é uma das poucas referências de mulheres negras famosas e estilosas que, de alguma forma, tem por referência estética o universo afro diaspórico, considerando também que apresenta-se "in natura".

Porém é hora de colocar alguma coisa dentro destas embalagens que são tão bonitas. Ontem vi tantos negros jovens lindos. Cada moça maravilhosa, cada homem "ulalá". Entretanto, o que vai nas cabecinhas deles? O que vai dentro das embalagens fantásticas? Nos fortalecemos e vemos que somos sim bonitos, que não precisamos seguir os modelos de beleza e de comportamento ditados pela novela, pelo seriado, todos brancos, todos tão distantes. São parcas, mas esta geração dos 20 anos já tem mais referências aqui no Brasil do que as que eu tive, por exemplo. Somos belos, mas, será que refletimos, que conversamos sobre este modelo de beleza negra, sobre a imagem que apresentamos à sociedade e sobre como impor as mesmas? Sobre como impor dreads e blacks em ambientes de trabalho, por exemplo? Ou seja, trazer a discussão para esta esfera e conscientizar o outro, não negro e até negros que não se sentem a vontade em suas peles de que não basta assumir uma estética para festa, para o evento, e que essa estética não é moda apenas. É a minha, a sua oportunidade de se apresentar à sociedade na qual vivemos que este é nosso rosto, nosso corpo, nosso cabelo, e que, infelizmente para quem acha feio e nos agride verbalmente nas ruas, ou para o empregador que quer a moça com cabelos presos, eu, talvez você, ou um amigo, somos assim, somos negros e estamos aprendendo a lidar esteticamente com as características de nosso corpo negro. Canela fina, barba rala, testa alta, narinas infladas, bundas salientes, barriguinha protuberante, dentes grandes, somos nós!
A Feira Preta é um ganho, é um presente da Adriana Barbosa para a população negra paulistana e para quem mais quiser vir e compartilhar anualmente pagando R$ 30,00 (caro!). É um espaço no qual somos Narcisos, achamos bonitos os nossos irmãos espelhos. Precisamos disso, de mais espaços espelhos. Todavia, precisamos muito de conhecimento, de diálogos que nos tragam reflexões sobre como lidar com este corpo, como não apresentá-lo como um modismo (reparem que toda a propaganda que possui muitas pessoas tem um negro ou negra de black, isso que a mídia faz, faz com que o público aceite, ou tolere, o negro nesta roupagem, neste formato, é pra pensar, e é sempre um negro ou negra...). 
Pensei em ser estilista, fiz três anos de desenho de moda e adoro roupas, combinações. Mas, percebi um universo aparentemente fútil, apesar da própria moda como área de estudo não ser fútil e sim reflexo do seu tempo. Gosto da História da Moda. Estilistas, negros ou não, vamos estudar, vamos refletir sobre os impactos das tendências que vocês incorporam e que ecoam em suas produções. Vamos criar algo novo, mais a cara do Brasil e não da exceção do Brasil. 
Fiquei pensando sobre a moda na arte e me vieram à cabeça estas referências. Quero destacar o fabuloso Barkley Hendricks e Mickalene Thomas, está última já apresentei aqui no blog. São artistas negros norte-americanos. Ele produziu nos anos de 1970 e ela está produzindo hoje, valorizando a beleza das mulheres negras. A moda mostra o espírito de uma época, com certeza, tanto ou mais que a arquitetura e que as demais manifestações estéticas, ela é um dado antropológico e social muito importante para se compreender uma cultura e uma época. Portanto, vamos pensar sobre esta moda afro-brasileira nascente, que não copia a África (eu sou brasileira), mas que não a esquece, que a possui uma gênese.
Vai aí um apanhado desta relação entre moda, arte e vida e pensamentos estéticos profundos como o do estilista Hundertwasser. São imagens provocadoras, lindas, chocantes, mas que demonstram que a estética não deve ser vazia, nem a nossa do dia a dia, nem a que se apresenta nos cruzamentos entre arte, etnicidade (ou identidade) e moda.

Toulouse Lautrec ( 1864-1901) foi um artista francês que viveu num ambiente de boemia, sensualidade e estilo, os cabarés franceses, que eram os lugares que gosta muito de frequentar, onde encontrava mulheres e amigos. Representou com beleza e uma extensa paleta de cores a vida nortuna de Paris da Belle Époque, foi quase um cronista registrando comportamentos e formas de vestir das mulheres que trabalhavam nestas casas como é possível observar na imagem abaixo.
Toulouse Lautrec foi cronista do modo de vida e do estilo das mulheres de lupanar que serviam os homens nos cabarés.

Emile Floge vestida em estilo Art Nouveau. Abaixo retrato dela pintado por Klimt.

O austríaco Gustave Klimt (1862-1918) realmente pensou na moda como possibilidade de ampliação criativa. Muitas das vestimentas que observamos em suas telas existiram de fato e foram concebidas por ele. Acima vemos Emile Floge eternizada em uma de suas pinturas. A sua relação com a moda era tão estreita que a Taschen lançou o livro "Klimt e a Moda" para demonstrar a verdadeira paixão do artista pela criação de vestimentas que dialogavam com elementos da natureza, linhas sinuosas e outras características da Arte Nouveau.

A sensualidade das mulheres pintadas pela polonesa Tamara de Lempicka (1898-1980) que encantou a todos com seus retratos extremamente femininos e geometrizantes, parte por influência do movimento cubista e parte devido ao estilo Art Decó, também são um bom registro da moda vigente nos anos de 1930 e de sua relação com a arte. Ela foi, inclusive, uma das poucas representantes da pintura em estilo Art Decó, que retomava ideais greco-romanos, porém a partir de linhas retas e da ordem e simetria como norteadores das composições.
Estudo para o "New Look" do artista Flávio de Carvalho.

"New Look" pronto para o uso.

O artista Flávio de Carvalho (1899-1973) desfilando com a roupa do homem moderno, feita para o verão brasileiro, dos trópicos. No mesmo ano de 1956, era lançado o "New Look" do estilista Christian Dior que, no período pós-guerra, desejava empoderar as mulheres da sensualidade que, segundo ele, tinham perdido devido à necessidade de se adotar "looks" práticos para que trabalhassem no lugar dos homens que foram guerrear. Era era caracterizado pela cintura marcada e saias rodadas. A vestimenta de Flávio de Carvalho e seu passeio pelo Centro de São Paulo formam uma das  performances mais importantes da História da Arte brasileira.
O austríaco Hundertwasser (1928-2000) que em seu "Manifesto das cinco peles", sendo uma delas o vestuário, pensou e criou as suas próprias vestimentas a partir de princípios como necessidade, proteção, identidade, conforto e função. As peças também eram reversíveis, poderiam ser usadas dos dois lados. Esta foto foi publicada na revista "Vogue" em novembro de 1982 e são peças reversíveis. Para saber mais ler: "Hundertwasser: o pintor das cinco pelos", de Pierre Restany, também da Taschen.

Vestimenta concebida a partir da pesquisa de Hundertwasser. Há uma proximidade entre a ideologia dele e a do estilista e artista Jaergenton.
"Parangolés" de Hélio Oiticica (1937-1980), idealizados como obras de arte que eram apresentadas em performances. Os Parangolés não são para serem apresentados em vitrines de museus, são obras de arte para serem vestidas. A vida cotidiana nos morros cariocas e os sambas produzidos por estas comunidades são as fontes de inspiração para o desenvolvimento destas obras.

Mais um Parangolé.
Nazareth Pacheco (1961) produziu uma série de objetos de arte que representam vestimentas e acessórios, mas que são feitos com materiais cortantes, que ferem. As peças são lindas, porém quando observadas de perto...  É como o padrão de beleza vendido pela moda ocidental e branca: pode ser belo, mas olhando bem, mais criticamente, pode machucar profundamente.
As performances de Vanessa Beecroft são apaixonantes...

... intrigantes...

... necessárias... Parece que somos míopes. Qualquer estrangeiro, rapidamente nota a nossa miscigenação, não importa se você é oriental, negro ou loiro, o país é muito mais misturado do que os países europeus, de modo geral. Ao chegar ao Brasil para apresentar uma obra na 25ºBienal de São Paulo, a italiana Vanessa Beecroft (1969) logo notou esta nossa particularidade. Desta maneira, a performance que apresentou no Pavilão da Fundação Bienal tentou materializar nossa natureza plural: brancas de cabelos pretos e crespos, negras de cabelos crespos e ruivos e, assim por diante. Belo trabalho! Adora as reflexões sociais de Vanessa Beecroft pautadas na arte e na moda.

Quando vi as pinturas retratos de Barkley Hendricks (1945) não pude acreditar no que meus olhos viam. Seus retratos representam a população negra norte-americana, especialmente as dos anos de 1970, nos quais a afirmação da beleza negra e a imposição de um estilo são carros chefes do movimento "Black is Beautiful". As pinturas são bem realistas. Abaixo, mais alguns trabalhos dele.




Mickalene Thomas (1971) empodera as mulheres negras em suas obras, nas quais tem como referência tanto os anos de 1970 quanto a estética africana de alguns países, isso se evidencia pelos tecidos que utliza em alguns de seus trabalhos.

Mundo do trabalho...
... Mundo da sensualidade...

Uma releitura da tela de Edouard Manet (1832-1883), "Almoço na Relva".

Tecidos e padrões africanos como referências.


Para saber mais e sair um pouco do Facebook:





segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Uma estética negra na literatura... Existe?

 
Eu sempre gostei muito de ler. Me lembro de ter pedido à minha mãe que me matriculasse na Biblioteca Vinicius de Morais que fica em frente à Cidade dos Velhinhos no Conjunto José Bonifácio, a COHAB 2. Meu pai me dava uns trocados e eu ia de ônibus até lá, porque eu tinha uns 11, 12, 13 anos e tinha que subir uma avenida para chegar lá, ficava muito cansada com minhas perninhas de negrinha magricela. Tenho certeza de que não descendo de etíopes, rs.
Assim, desde esta idade, a minha experiência com a literatura é como leitora. Cheguei a produzir textos inspirados nos que eu lia como as histórias de adolescentes de Márcia Kupstas (1957), que eu adorava e que eram publicados também na revista Capricho, ou ainda, todos os livros da série Vaga-lume, o clássico A Droga da Obediência, de Pedro Bandeira (1942), até chegar ao meu primeiro livro de adultos: Venha Ver o Pôr do Sol, da grande Lygia Fagundes Teles (1923).  
Pra mim não existia o conceito de literatura negra. Não existiam, dentro deste vasto universo de livros aos quais eu tinha acesso, nada que se referisse à cultura de matriz africana. Lembro até que as personagens de Lygia eram sempre de classe média e brancas e que algumas frases me incomodavam, mas ela, como autora, representava justamente o universo no qual estava inserida, assim, qual era o problema? Nenhum. Os escritores, de modo geral, retratam o ambiente no qual vivem, escrevem a partir de suas vivências e conhecimentos, deste modo, se eu não tinha acesso aos autores negros, não leria nada sobre personagens negras, a não ser de maneira depreciativa e estereotipada como sabemos que muitos autores trataram a figura do negro. Nem preciso entrar nesta seara.
Quando soube que Machado de Assis (1839 – 1908) era mestiço (ou negro em qualquer outro lugar do mundo), tentei ler alguns de seus livros e percebi que também não havia nenhuma referência em relação à cor de sua (e da minha) pele. O mesmo aconteceu no caso de Cruz e Souza (1861- 1898). Alias como era difícil compreender aquela poesia antes de conhecer o movimento simbolista e entender as suas premissas, porém este é outro assunto.
Estes autores negros e mestiços do final do século XIX, não tinham em suas formações e cotidianos realidades que dialogassem com a cultura de matriz africana ou negra. Ou talvez não quisessem vê-los, pois precisavam ser aceitos como homens honrados, cavalheiros distintos. O que significava a negação de suas raízes que, até então, era altamente marginalizada, mais que hoje em dia, praticamente inexistia, não era considerara cultura, era como se fosse um desvio das condutas do ser humano. Para entender essa ideia é preciso conhecer um pouco sobre o darwinismo social que é um conceito que se diz científico porque baseado nas ideias do naturalista inglês Charles Darwin (1809-1982), que pregava que a humanidade tinha graus de evolução que se refletiam não somente na aparência, mas acima de tudo no desenvolvimento intelectual e cultural, e claro, que os afrodescendentes estavam na base desta evolução. Ou seja, são as premissas do clássico A Origem das Espécies, transposta para a realidade étnica e social. Quando as pessoas falam sobre a escravidão negra pensam que a mesma se deu devido ao racismo, entretanto, estes conceitos são forjados somente no século XIX, é neste momento que alguns brancos inventam que são melhores que os demais povos do modo. Até então, as justificativas para dominação eram de base religiosa católica ou comercial. Para saber mais sobre esta questão leia A Invenção do Ser Negro, da fabulosa Gislene Aparecida dos Santos. Enfim, os escritores negros que surgiram antes do século XX tinham modos de estudar, de falar, de se comportar que se remetiam muito diretamente ao modelo europeu, mais precisamente ao francês, desta maneira, ser negro, valorizando determinados conhecimentos em detrimento de outros, era absolutamente fora das possibilidades reais. Assim, concordo com o Sr. Ferreira Gullar quando, na semana passada em seu blog, questionou o termo literatura negra para se referir a estes escritores dos oitocentos. Não havia sinal algum de negritude em seus escritos, era a cultura ocidental branca que segue e respeita a norma culta que se usava para redigir e criar e são as mesmas que norteiam o imaginário que, naquele momento, tinha estreita relação com os valores clássicos, pensando que estávamos no neoclassicismo.
Escritores negros e  mestiços que tratam da cultura negra como tema aparecem com força somente a partir da segunda metade do século XX. Evidentemente que, antes disso, podemos citar a figura de Luís Gama (1850-1882), poeta, jornalista e abolicionista que acredito ter escrito as primeiras poesias negras dentro deste conceito de literatura negra. Lima Barreto (1881-1922), também trata do preconceito do branco contra o mulato em sua obra, a maneira de uma denúncia. A esse respeito, negros falando sobre negros em seu trabalho literário, vale muito a pena ler o artigo de Domício Proença Filho que está citado ao final destes pensamentos transcritos aqui. Sem desmerecer os demais artigos aos quais tive acesso, creio ser este o mais completo e o que consegue distanciar paixão de estudo, não que estudo não seja também paixão. Mas, ele consegue fazer uma análise mais distanciada.
Gostaria de agregar a este pensamento compartilhado, este trecho de um texto publicado no blog do poeta Ferreira Gullar, em 04 de dezembro, semana passada, e que gerou muita polêmica:

... Mas, infelizmente, na literatura, essa descriminação começa a surgir. Não acredito que vá muito longe, uma vez que é destituída de fundamento mas, de qualquer maneira, contribuirá para criar confusão.
Falar-se de literatura brasileira negra não tem cabimento. Os negros, que para cá vieram na condição de escravos, não tinham literatura, já que essa manifestação não fazia parte de sua cultura.
Consequentemente, foi aqui que tomaram conhecimento dela e, com os anos, passaram a cultivá-la.
Se é verdade que, nas condições daquele Brasil atrasado de então, a vasta maioria dos escravos nem sequer aprendia a ler - e não só eles, como também quase o povo todo - com o passar dos séculos e as mudanças na sociedade brasileira, alguns de seus descendentes, não apenas aprenderam a ler, como se tornaram grandes escritores, tal é o caso de Cruz e Souza, Machado de Assis e Lima Barreto, para ficarmos nos mais célebres.


É muito engraçado como sempre que o negro resolve nomear ele próprio o que produz culturalmente, ele é taxado de propagar, incitar o preconceito. Como se a ausência e a omissão não configurassem preconceito cultural também. Diga-se de passagem que este é o nome do texto: “Preconceito Cultural”. Bom, vamos lembrar da literatura oral africana e sagas como a de Sundjata – o Príncipe Leão, o líder malinque. Isso é literatura assim como são a Ilíada e a Odisséia de Homero que, por muitos anos, tiveram a oralidade como veículo preservador e propagador desta criação. Depois é que as mesmas são registradas em escrita. Vamos pensar bem...
Pode-se afirmar que a tal literatura negra surge quando os negros começam a falar de si. E, como bem reflete Domício Proença Filho:"Tem-se, desse modo, literatura sobre o negro, de um lado, e literatura do negro, de outro", que precisamos aprender a diferenciar. Evidentemente que numa sociedade que "concede" a libertação da população negra do julgo da escravidão, sem planejar possibilidades de ascensão socioeconômica e sem perspectivas de equiparar condições de vida, o que estamos tentando realizar hoje a partir das ações afirmativas (incompreendidas por muitos por falta de informação proposital das diversas mídias), a cultura e o indivíduo negro são desprezados e eclipsados pela literatura branca predominante. Literatura branca porqu só se fala e se mostra positivamente o universo branco, isso é evidente. Quando o negro aparece representando é de maneira a marginalizar e desprestigiar o seu lugar no mundo, inclusive no mundo das ideias.
Castro Alves (1847-1871), que é o primeiro poeta a humanizar a figura do negro e se pauta em uma ideia de África e africanidade que se relaciona muito mais com o mundo islamizado e com os conceitos adotados pelos artistas orientalistas que tinham as mentes borbulhantes devido aos mitos e exotismos que os atraíam para o mundo árabe. A África do Benim, da Nigéria, da República Democrática do Congo, dentre outros países nomeados posteriormente e de onde foram trazidos africanos para o Brasil, não aparece em suas obras, ele representa uma África absolutamente imaginada, idealizada, tal qual é também a função da arte, fazer imaginar. O Congo citado em sua obra é o Congo inventado e tudo o que se referia a uma África profunda no século XIX e princípios dos XX poderia ser resumido pelo juízo de Congo concebido.
Castro Alves não era negro, ele tratava também dos negros em suas obras. Não vamos confundir esta questão. Aí, até podemos afirmar com mais ênfase que nasce uma literatura negra dos moldes da que vem sendo defendida por muitos, entretanto, neste caso o autor não é negro. Se formos tratar da literatura negra como sendo escrita só por negros e com temática correlata, Castro Alves não se encaixa. Lembremos que é diferente falar sobre a representação da figura do negro como personagem na literatura e falar de literatura negra. Muito diferente. Estamos a falar de produção e do produtor negro tendo a sua história como tema propulsor de sua ação criadora. De uma estética literária negra. Acho que é isso. E para haver uma estética negra nas artes, de modo geral, há que se ter cuidado para que o espírito militante não se sobreponha ao criador, ao artístico. Carolina Maria de Jesus (1914-1977), Nei Lopes, Abdias do Nascimento (1914-2011), Cuti (fundador da série Cadernos Negros), Oswaldo de Camargo, Solano Trindade (1908-1974) dão corpo à chamada literatura negra juntamente com outros autores. Olha que forte esta poesia de Cuti:

FERRO
Primeiro o ferro marca
a violência nas costas
depois o ferro alisa
a vergonha nos cabelos
Na verdade o que se precisa
é jogar o ferro fora
e quebrar todos os elos
dessa corrente de desesperos

E de Solano Trindade, esta poesia que é a de que mais gosto:

OU NEGRO
A Dione Silva
Sou Negro
meus avós foram queimados
pelo sol da África
minh'alma recebeu o batismo dos tambores atabaques, gonguês e agogôs
Contaram-me que meus avós
vieram de Loanda
como mercadoria de baixo preço plantaram cana pro senhor do engenho novo
e fundaram o primeiro Maracatu.
Depois meu avô brigou como um danado nas terras de Zumbi
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca
escreveu não leu
o pau comeu
Não foi um pai João
humilde e manso
Mesmo vovó não foi de brincadeira
Na guerra dos Malês
ela se destacou
Na minh'alma ficou
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação...

De Oswaldo de Camargo, aprecio esta lucidez ao falar de literatura negra:

Acredito que a partir do momento que o negro resolve falar de sua realidade e identidade como negro, trazendo as marcas de sua história, mesmo dentro de uma língua portuguesa, ortodoxa, acadêmica, que seja, se ele conseguir fazer isso com arte e se essa literatura estiver sancionada por uma produção, ela existirá. A produção existe. É fato. Portanto, atestada pela produção, a literatura negra existe. Quando o negro pega suas experiências particulares e traz, sobretudo o "eu", a persona negra, com suas vivências, que um branco pode imitar mas não pode ter, o nome que damos a isso é literatura negra... la começa a existir a partir do momento que o negro olha para si mesmo e passa a contar como negro suas experiências particulares, suas memórias, sua vida, suas diferenças, sua identidade, mesmo que esta escrita tenha como base um português camoneano. A grosso modo podemos iniciar este movimento com Luís Gama ao escrever o poema "Bodarrada", que traz o problema da identidade negra. Um texto como "Bodarrada" só poderia ter saído de um negro. O branco não pode idealizar isto, pois o autor está trazendo sua experiência particular de negro. É verdade que podemos citar, no século XVIII, Domingos Caldas Barbosa, mas aí de uma maneira mais enfraquecida, o "Eu", mesmo, aparece apenas com Luís Gama. Depois vem Cruz e Souza com "Consciência Tranqüila", "Escravocratas" e sobretudo "Emparedado". Essas obras são particularíssimas, jorram de dentro de um "Eu" negro. 


O fato é que há vários escritores querendo trazer a realidade do negro para os contos, romances, poesias e peças de teatro. Pessoas que vislumbraram em seu cotidiano e contextos de criação e educação formal e informal as bases para o desenvolvimento de uma literatura que vem sendo chamada de negra e, por vezes, se mistura com a que vem sendo denominada como periférica. Entretanto, mais que se preocupar com os rótulos, devemos nos pautar nas realidades e pontos de vistas trazidos pelos autores; nas relações entre os diferentes que as obras abordam; nas questões da visibilidade e depreciação ou apreciação do corpo e conhecimento negros em nossa sociedade; e, o principal, no caminho das pedras percorridos pelos autores que tentam mostrar sensualidade e sexualidade negra a partir da observação deste corpo dantes desqualificado como belo e atraente dentro de seus padrões fenotípicos, de suas formas próprias, dos narizes largos, das peles escuras, das bocas carnudas, dos bundas avantajadas, dos cabelos crespos, das canelas finas, dos ventres salientes (como nas esculturas tradicionais africanas), enfim, uma corporeidade negra.
Dá para citar a Elizandra Souza, a Raquel Almeida, a Priscila Preta, a Tula Pilar, a Maria Tereza (já falecida), o Allan da Rosa, o Caruru, o Luan Luando, o Zinho Trindade, todos escritores que se baseiam primeiramente em suas experiências de vida para criar e para compartilhar reflexões em forma de texto poético, soneto, prosa, tanto faz. O que se quer é comunicação com beleza contemplatória ou conscientizante. Olha um poema de Priscila Preta, adoro! São todos muito sensuais e é uma sensualidade negra possível:

ENTRE

Sua boca toca a pele de minhas costas, quase não tocando
 Meus pêlos respondem se levantando
O beijo molhado quase seco tem respostas em movimento
O Vento percorre do coro cabeludo a sola do meu pé
Seu peito toca minhas costas
Sinto seu peso
Sua boca encontra minha orelha
A minha boca solta um suspiro
Respiramos juntos
Não sei mais onde eu começo e você acaba
Um cheiro nosso que exala
O encontro de nossas pretas peles pétalas
Estamos um em posse do outro
Como uma locomotiva chegamos a 200 por hora
Juntos apertamos o freio da satisfação
Me dissolvo em você
Você desmancha em mim
Somos o encontro do rio e do mar
A pororoca do Tesão.

Pra quem quiser baixar, o site das Edições Toró, fundado por Allan da Rosa, tem o “Negrices em Flor” de Maria Tereza disponível. Olha que gentileza! Os textos dela vão da docilidade infantil à uma agressividade sexualidade. Variam muito. O mais importante é que me descobri mulher negra muito por conta da convivência com esta figura andrógina, forte e linda que nos deixou há pouco. No site há vários outros livros interessantes e gratuitos, não há desculpa para não ler:


Ah, um exemplo importante para problematizar e refletir sobre a cor, ascendência como determinante da denominação de uma dada produção. A grande Yedamaria, artista plástica e minha avó por adoção, pinta naturezas mortas belíssimas, mas não há nada de negritude nisso. Ela optou por uma temática, não dá para falar de paleta negra, ou e uma arte negra em seu caso. É arte, simples assim. Deste modo, acredito que quando o negro se torna tema da escrita do negro e seus valores culturais, sociais, religiosos e estéticos são fundamentais para dar corpo à obra, podemos dizer que surge então uma literatura negra.

E será que a pintora Yedamaria faz arte negra?
 
Sobre a literatura feita por autores afrodescendentes, sejam literatura negra ou somente literatura, seguem algumas referências de artigos, ensaios e afins que acessei via internet:

Por Carina Bertozzi, "Literatura negra – uma outra história", em http://www.cronopios.com.br/site/ensaios.asp?id=2649

Por Domício Proença Filho, A trajetória do negro na literatura brasileira em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142004000100017&script=sci_arttext

“Literatura e Afrodescendência no Brasil” é composta por quatro volumes, a antologia, foi organizada por Eduardo de Assis Duarte e Maria Nazareth Soares Fonseca.

Para conhecer alguns autores da nova geração:

Akins Kintê:
akinskinte.blogspot.com/

Allan da Rosa e outros autores:
www.edicoestoro.net

Cidinha da Silva:
http://cidinhadasilva.blogspot.com/

Elizandra Souza:
mjiba.blogspot.com/

Zinho Trindade:
zinhotrindade.blogspot.com/

E para prestigiar, no dia 20 de dezembro teremos o lançamento do livro A Descoberta do frio, do jornalista, escritor, músico e poeta Oswaldo de Camargo. Olha o convite aí, gente! E vamos pensando que tem muita coisa para ponderar.




segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sobre a programação do mês da Consciência Negra oferecida pelas instituições em 2011.

Tenho a ligeira impressão de que este mês de novembro de 2011 contou com atividades voltadas ao dia da Consciência Negra que não tinham, somente, o objetivo de "entreter" as pessoas. Chega desta história de oferecer um show com um cantor ou cantora negro  (a) ou com um estilo musical que se aproxime de alguma forma da matriz africana e impor tal show como "comemoração" do mês da Consciência Negra.
É preciso que sejam oferecidas ações que façam pensar sobre a existência deste dia, que se tornou mês e que, muito provavelmente, sertornará semestre qualquer hora. Afinal de contas, um mês apenas não é o suficiente para trazer ao público tudo o que fica guardadinho durante os demais meses do ano. É necessário, além de discutir os motivos da existência da data, dar a oportunidade de diálogo aos  interessados, oportunidade de conversar sobre a história e situação da população afrodescendente no Brasil. 
Não é mais possível tapar o sol com a peneira, oferecer qualquer programação para não "passar em branco", para cumprir um calendário. Neste ano vi discussões sérias e profundas. Eu mesma fiz mais trabalhos do que no ano anterior, seja como idealizadora, organizadora, palestrante, artista plástica, enfim, muita coisa boa!
Acredito que esta seja uma tendência, cada vez mais vamos tratar dos porquês e menos dos "auês". É necessário que existam espaços para que a população negra e mestiça se veja bela e que se tenha como seu próprio referencial de beleza? Sim! Claro, sempre bem-vindas,! Porém, não podemos nos limitar à estética. É preciso informar, socializar pesquisas, aprofundar discursos. Isso aconteceu no Africanofagias Paulistanas da Pinacoteca do Estado nos dias 05, 12, 19 e 26 deste mês, por meio de palestras, visitas temáticas e shows. Unindo, desta maneira, conhecimento, diálogo e entretenimento. 
Também o SESC promoveu uma série de ações substanciais para comemorar este mês. A Solange Ardila, artista plástica e pesquisadora, deu um curso no SESC Vila Mariana sobre a arte africana e as suas ressonâncias na arte brasileira, parece que lotou. Rosana Paulino também tratou de tema correlato na unidade do Belenzinho, onde também ministrei três oficinas sobre Agnaldo Manoel dos Santos, Rubem Valentim e Rosana Paulino (a própria).
O Instituto Feira Preta, representado na figura da garota esperta Adriana Barbosa, realizou a tradicional Pílula Preta com o Caldeirão Negão e uma mesa redonda de suma importância sob o tema "Economia Criativa e Cultura Negra" da qual participaram o jornalista Nabor Júnior (Revista "O Menelick 2ºAto); o historiador e educador Allan da Rosa (Edições Toró); o artista e grafiteiro Alex Hornest; o cinesta Jeferson De, dentre outros grandes. Curiosamente só tinham homens na mesa redonda organizada no SESC Santo André. O tempo foi curto, mas este encontro deveria ter o auditório lotado. Tinham poucas pessoas, umas 20. Quem não foi que perdeu, sorry!
Alias, em todos os eventos, exceto na Pílula Preta, tinham poucas pessoas. Estranhíssimo!!! Não foi falta de divulgação, muita gente sabia o que estava acontecendo, mas por que não aparecem? Por que não vão saber mais, ouvir, discutir sua história, apresentar seu ponto de vista? Por que os esvaziamentos se ao longo do ano ouvimos pessoas dizendo que faltam justamente este tipo de ação? Que faltam aberturas das grandes instituições, espaços... u quero saber.Quero também que as ações continuem em janeiro, fevereio, março etc. Quero que não nos ofereçam os espaços só em novembro e isso ainda vai acontecer, em breve!
Ao mesmo tempo, vamos nós construirmos nossos lugares de vozes, corpos e ideias. A mesa redonda promovida pelo Instituto Feira Preta foi fundamental neste sentido: como negros e negras conseguem a autonomia profissional no mercado das artes e da cultura, de modo geral? Como traçar estes caminhos? É para pensar, mas é melhor pensarmos juntos e isso só é possível se participarmos destes encontros até agora restritos à novembro. 
Poder para o povo!
Seguem algumas imagens do Africanofagias Paulistanas (Pinacoteca do Estado de São Paulo). Quero agradecer especialmente a Paola Cavallari e Alexandre Araujo Bispo que estiveram comigo em muitos momentos cruciais.
05 de novembro: mesa redonda sobre Africanos em Terras Paulistanas com Mestre Milton da Silva Santos, Prof. Dra. Vanicleia da Silva Santos e Dr. Regiane Augusto Mattos. Mediação do curador e crítico Alexandre Araujo Bispo.

Pro. Dra. Vanicleia Silva Santos que veio da UFMG para esta mesa redonda tratar dos mandingas. Eles estiveram no Brasil? Quem foi sabe.

Curimba: as pastoras do Kolombolo.



Público atento.
12 de novembro: mesa redonda sob o tema Paulistano me tornei, nesta terra que adotei com mediação da Prof. Dra. Maria Ap. Lopes da UFTO.
Mestre Flavia Rios falou sobre a obra e vida de Carolina Maria de Jesus.

O prezado Prof. Dr. Nelson Inocêncio da UNB falou sobre a biografia de Emanoel Araujo.

A querida Prof. Dra. Ligia Ferreira da UNIFESP falou sobre Luis Gama brilhantemente.


Zinho Trindade e o Legado de Solano.

Agradecendo a presença da plateia.
19 de novembro: mesa redonda sobre Católicismo negro e cultura de matriz africana na cultura popular brasileira com a artista e pesquisadora Raquel Trindade e com o escritor e jornalista Oswaldo de Camargo. A mediação foi do escritor, educador e capoerista Allan da Rosa.





A jornalista e poeta Elizandra Souza na plateia.

A artista Ariane Neves, o DJ e video maker Ronaldo PJ e educador e irmão Edson Felinto, queridos prestigiando o evento!

As Capulanas: Cia de Arte Negra. As imagens deste grupo são do Guma. Lindo trabalho.




26 de novembro: mesa redonda sobre o trabalho desenvolvidos pelos grupos de música e de teatro que se apresentaram. Mediação de José Nabor Jr. da revista O Menelick 2.ato.

Renato Dias do Kolombolo Diá Piratininga: ótimas reflexões.


Para fechar com cheve de ouro: Urubu come carniça e voa, com Grupo Clariô de Teatro.