segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Afrobrasilidades: SESC Belenzinho e a produção de matriz africana na arte

Fui convidada a realizar um encontro com professores e três oficinas de arte no SESC Belenzinho, este empreebdimento faraônico situado na Zona Leste.
Para os professores preparei uma palestra de três horas sob o títuto A arte brasileira tem ziriguidum. Trablhando sobre esta onomatopeia que nos remete ao ritmo e musicalidade do samba, foram apresentados artistas brasileiros que, em suas produções, trazem aspectos que se relacionam conceitual ou esteticamente à matriz africana.
Como os encontros com professores, de modo geral, ocorrem aos sábados, infelizmente não tivemos o público esperado de 25 pessoas, tínhamos cinco pessoas na plateia, neste último domingo, 06 de novembro. Entendo perfeitamente, afinal de contas, que piscina enorme é aquela no SESC? Não consigo competir com issom, rs. Além disso, domingo é dia de descanso, para a maioria dos docentes, entendo, entendo e respeito.
Nas demais datas, as das oficinas, creio não haver desculpas. Há, inclusive, muitos e muitos motivos para que tenham vagas esgotadas nestes encontros teórico-práticos que ocorrerão em 18 e 25 de novembro e 03 de dezembro. Os professores, de modo geral, sempre trazem dúvidas sobre como incluir os artistas negros e suas temáticas nos planejamentos das aulas de artes, que atividades podem ser desenvolvidas a partir destas produções. Desta forma, pensei exatamente em, com materiais acessíveis, tratar de produções de artistas mais propagados e de apresentar outros nobres pouco citados. Assim, abordarei Rubem Valentim (1922 - 1991), Agnaldo Manoel dos Santos (1926 - 1962) e Rosana Paulino (1967), que, diga-se de passagem, é uma das pessoas convidadas a lecionar um curso nos dias 16, 23 e 30 de novembro (eu vou!). Serão 30 minutos de uma breve explanação sobre estes artistas acompanhados de 1h15 de atividade e de uma apreciação coletiva.


Obra de Rubem Valentim pensada a partir da simbologia ritualística iorubana.

Trabalho da série "Amor: modos e usos" de Rosana Paulino.

Obra de Agnaldo Manoel dos Santos.
Cada vez mais vejo que há instituições preocupadas em contemplar o mês da consciência negra com atividades que não são apenas "tapa buraco" ou o cumprimento de uma agenda burocrática. Antes se via uma apresentação qualquer, de qualquer artista negro, sem a ampliação de diálogos, de conhecimentos, sem criticidade estética e conceitual envolvidas, ou seja, não havia uma elaboração, algo de fato pensado para agregar e somar saberes e, por que não, lazer de qualidade? As instituições estão, de fato, investindo nisso. Nós, negros, brancos, mestiços e quem mais tiver interesse, merecemos este respeito, este planejamento, este cuidado.
Fico muito satisfeita com esta alteração de panorama que realmente acena para uma equidade de importâncias dos povos constituintes desta nação brasileira e que, futuramente, desejo que extrapole o mês de novembro. Eu sou negra todos os dias, todas as horas, todos os minutos, eu quero, portanto, que as questões da minha identidade, inerentes ao meu ser e aos meus iguais estejam em pé de igualdade valorizadas pelas instituições que frequento e que me formaram sim, como cidadã, como educadora, pesquisadora e artista.
É uma questão de tempo.
Falta fazer com este dia, o 20 de novembro, se transforme mesmo em um feriado nacional, tal qual é o de Tiradentes que, muitos sabemos que não era figura central no movimento da Inconfidência Mineira.
É uma questão de tempo...

Educadores engajados, comprometidos e curiosos, espero vocês no SESC Belenzinho.

Agradeço a programadora e artista Vanessa Lambert pela oportunidade.
Abaixo o link da instituição com a programação.


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