segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sobre a programação do mês da Consciência Negra oferecida pelas instituições em 2011.

Tenho a ligeira impressão de que este mês de novembro de 2011 contou com atividades voltadas ao dia da Consciência Negra que não tinham, somente, o objetivo de "entreter" as pessoas. Chega desta história de oferecer um show com um cantor ou cantora negro  (a) ou com um estilo musical que se aproxime de alguma forma da matriz africana e impor tal show como "comemoração" do mês da Consciência Negra.
É preciso que sejam oferecidas ações que façam pensar sobre a existência deste dia, que se tornou mês e que, muito provavelmente, sertornará semestre qualquer hora. Afinal de contas, um mês apenas não é o suficiente para trazer ao público tudo o que fica guardadinho durante os demais meses do ano. É necessário, além de discutir os motivos da existência da data, dar a oportunidade de diálogo aos  interessados, oportunidade de conversar sobre a história e situação da população afrodescendente no Brasil. 
Não é mais possível tapar o sol com a peneira, oferecer qualquer programação para não "passar em branco", para cumprir um calendário. Neste ano vi discussões sérias e profundas. Eu mesma fiz mais trabalhos do que no ano anterior, seja como idealizadora, organizadora, palestrante, artista plástica, enfim, muita coisa boa!
Acredito que esta seja uma tendência, cada vez mais vamos tratar dos porquês e menos dos "auês". É necessário que existam espaços para que a população negra e mestiça se veja bela e que se tenha como seu próprio referencial de beleza? Sim! Claro, sempre bem-vindas,! Porém, não podemos nos limitar à estética. É preciso informar, socializar pesquisas, aprofundar discursos. Isso aconteceu no Africanofagias Paulistanas da Pinacoteca do Estado nos dias 05, 12, 19 e 26 deste mês, por meio de palestras, visitas temáticas e shows. Unindo, desta maneira, conhecimento, diálogo e entretenimento. 
Também o SESC promoveu uma série de ações substanciais para comemorar este mês. A Solange Ardila, artista plástica e pesquisadora, deu um curso no SESC Vila Mariana sobre a arte africana e as suas ressonâncias na arte brasileira, parece que lotou. Rosana Paulino também tratou de tema correlato na unidade do Belenzinho, onde também ministrei três oficinas sobre Agnaldo Manoel dos Santos, Rubem Valentim e Rosana Paulino (a própria).
O Instituto Feira Preta, representado na figura da garota esperta Adriana Barbosa, realizou a tradicional Pílula Preta com o Caldeirão Negão e uma mesa redonda de suma importância sob o tema "Economia Criativa e Cultura Negra" da qual participaram o jornalista Nabor Júnior (Revista "O Menelick 2ºAto); o historiador e educador Allan da Rosa (Edições Toró); o artista e grafiteiro Alex Hornest; o cinesta Jeferson De, dentre outros grandes. Curiosamente só tinham homens na mesa redonda organizada no SESC Santo André. O tempo foi curto, mas este encontro deveria ter o auditório lotado. Tinham poucas pessoas, umas 20. Quem não foi que perdeu, sorry!
Alias, em todos os eventos, exceto na Pílula Preta, tinham poucas pessoas. Estranhíssimo!!! Não foi falta de divulgação, muita gente sabia o que estava acontecendo, mas por que não aparecem? Por que não vão saber mais, ouvir, discutir sua história, apresentar seu ponto de vista? Por que os esvaziamentos se ao longo do ano ouvimos pessoas dizendo que faltam justamente este tipo de ação? Que faltam aberturas das grandes instituições, espaços... u quero saber.Quero também que as ações continuem em janeiro, fevereio, março etc. Quero que não nos ofereçam os espaços só em novembro e isso ainda vai acontecer, em breve!
Ao mesmo tempo, vamos nós construirmos nossos lugares de vozes, corpos e ideias. A mesa redonda promovida pelo Instituto Feira Preta foi fundamental neste sentido: como negros e negras conseguem a autonomia profissional no mercado das artes e da cultura, de modo geral? Como traçar estes caminhos? É para pensar, mas é melhor pensarmos juntos e isso só é possível se participarmos destes encontros até agora restritos à novembro. 
Poder para o povo!
Seguem algumas imagens do Africanofagias Paulistanas (Pinacoteca do Estado de São Paulo). Quero agradecer especialmente a Paola Cavallari e Alexandre Araujo Bispo que estiveram comigo em muitos momentos cruciais.
05 de novembro: mesa redonda sobre Africanos em Terras Paulistanas com Mestre Milton da Silva Santos, Prof. Dra. Vanicleia da Silva Santos e Dr. Regiane Augusto Mattos. Mediação do curador e crítico Alexandre Araujo Bispo.

Pro. Dra. Vanicleia Silva Santos que veio da UFMG para esta mesa redonda tratar dos mandingas. Eles estiveram no Brasil? Quem foi sabe.

Curimba: as pastoras do Kolombolo.



Público atento.
12 de novembro: mesa redonda sob o tema Paulistano me tornei, nesta terra que adotei com mediação da Prof. Dra. Maria Ap. Lopes da UFTO.
Mestre Flavia Rios falou sobre a obra e vida de Carolina Maria de Jesus.

O prezado Prof. Dr. Nelson Inocêncio da UNB falou sobre a biografia de Emanoel Araujo.

A querida Prof. Dra. Ligia Ferreira da UNIFESP falou sobre Luis Gama brilhantemente.


Zinho Trindade e o Legado de Solano.

Agradecendo a presença da plateia.
19 de novembro: mesa redonda sobre Católicismo negro e cultura de matriz africana na cultura popular brasileira com a artista e pesquisadora Raquel Trindade e com o escritor e jornalista Oswaldo de Camargo. A mediação foi do escritor, educador e capoerista Allan da Rosa.





A jornalista e poeta Elizandra Souza na plateia.

A artista Ariane Neves, o DJ e video maker Ronaldo PJ e educador e irmão Edson Felinto, queridos prestigiando o evento!

As Capulanas: Cia de Arte Negra. As imagens deste grupo são do Guma. Lindo trabalho.




26 de novembro: mesa redonda sobre o trabalho desenvolvidos pelos grupos de música e de teatro que se apresentaram. Mediação de José Nabor Jr. da revista O Menelick 2.ato.

Renato Dias do Kolombolo Diá Piratininga: ótimas reflexões.


Para fechar com cheve de ouro: Urubu come carniça e voa, com Grupo Clariô de Teatro.



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