sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Arte é, primeiro, arte!

No dia 25 de novembro, por uma graça divina, o Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil, venceu uma grande batalha, com muito convencimento, justificativas, conversa de cá e conversa de lá, o coordenador Claudinei Roberto conseguiu organizar uma mesa redonda com alguns dos artistas afrodescendentes mais proeminentes do cenário atual. Claro que, para uma primeira mesa redonda sobre arte contemporânea afro-brasileira (tenho deixado de utilizar esta terminologia, mas o Museu Afro Brasil ainda a adota como forma de "agrupar", talvez, de organizar a produção desses artistas), tiveram ausências, tanto de tempo, quanto de assuntos a serem debatidos, quando de mulheres. Compunham a mesa redonda o quadrinista Marcelo D'Salete, que possui dois belos livros lançados, "Noite Luz" e "Encruzilhada"; os artistas plásticos Neco Soares, Rosana Paulino, Sidnei Amaral, Tiago Gualberto e o multi artista Alex Hornest, que ainda é o ONESTO das ruas paulistanas (e mundiais), nas horas vagas. Aliás, ele não deixar as ruas porque foi para as galerias, é louvável, não deixou suas raízes.
O título da primeira mesa redonda do Museu Afro Brasil sobre a arte contemporânea que ele apresenta, propaga e divulga foi "Arte contemporânea afro-brasileira", e, das 14h30 às 17h e pouco, realizamos uma conversa que precisaria de mais encontros, talvez semestrais, para ficarem em poucos, e de mais profundidade. 
Obviamente que se o título valoriza a ascendência dos artistas, não haveria como não iniciar as perguntas por este viés. E elas foram muitas. A partir dessa introdução, desse primeiro momento, valeria aprofundar a discussão nas questões da própria arte contemporânea e não origem étnica dos artistas. Considerei absolutamente desnecessário o "afro-brasileiro" do título da mesa redonda, porque induz e empobrece a discussão  Que eles são todos negros é visível, mas a arte que produzem é mais importante do que esta questão, ainda que, em alguns casos esta intrinsecamente conectada à...
Outro aspecto que considero importante que seja ponderado, é o fato de nem todos os artista tratam de questões de africanidade ou afro-brasilidade em suas obras, o que reitera o fato do título se tornar mais impertinente ainda. 
Dos artistas "pinçados" para a atividade, podemos afirmar que Marcelo D'Salete, Rosana Paulino e Tiago Gualberto se interessam mais diretamente por esta problemática. Basta ler os livros de De Salete e visitar o blog de Paulino e o flickr de Tiago. Todos os trabalhos possuem este tom, até porquê o questionamento é inerente ao ser, e no caso deles, fica evidente que querem dizer algo acerca destas questões, seja o que lhes incomoda, seja o que os encanta. Não são produções meramente estéticas no sentido das possibilidades de diálogos com os próprios conceitos formais da arte, são profundas e mergulham na historicidade, nos pensamentos antropológicos e conceitos sobre o ser negro, afrodescendente, mestiço, brasileiro, etc. São extremamente pertinentes dentro de uma perspectiva de arte afrodescendente, prefiro este termo que Roberto Conduru e Nelson Inocêncio vêm empregando.
Sidnei Amaral, Neco Soares e Alex Hornest desbravam outras searas. O trabalho de Amaral, por exemplo,é particularmente diferenciado se pensarmos nas esculturas objetos que vem produzindo, seres e formas híbridas em bronze e/ou latão esmaltados. Os autorretratos, em especial, são bem interessantes e intrigantes também, onde ele se coloca em diversas situações, em luta contra o matrimônio metaforizado pelo vestido de noiva, quase que uma luta vencida, ou mesmo, as representações junto aos seres mágicos da mitologia brasileira. Exímio pintor e aquarelista! Dos meus prediletos. Isso, não estou tentando nenhuma imparcilidade! Alexandre Araujo Bispo, antropólogo e curador, nas horas vagas também é artista, ainda que tímido, redigiu um belo texto sobre Amaral, fez o mesmo acerca da excelente produção de Paulino e de Yêdamaria. Ambos podem ser acessados pelo site da revista O Menelick 2ºato, que trata de afrourbanidades e para a qual contribuímos e compomos o conselho editorial à convite do jornalista cultural José Nabor Júnior, idelaizador da mesma. Para quem não conhece:

De passagem a revista foi citada como o único veículo que propaga crítica sobre arte contemporânea feita por artistas negros. Ficamos lisonjeados, mas é pouco, muito pouco. Nem a própria revista do Museu Afro Brasil, a linda Afro B, tem se prestado a este papel da crítica de arte contemporânea. Por favor, mais amor para os nossos artistas. 
Não cabe aqui comentar todas as falas, todas as questões levantadas pela parca plateia, todas as argumentações e reflexões feitas por alguns dos artistas mais pensantes, outros ficaram bem calados, estranho. Inclusive, cansa um pouco esta história de que não há espaços de interlocução e quando há, as pessoas não saem de suas casa para prestigiar, fazer corpo, demonstrar que sim, queremos mais!! Particularmente, me surpreendi bastante com posicionamentos do jovem Tiago Gualberto, sabe o que faz e seus motivos. Paulino, nem se fala, se tornou uma sumidade, herdeira, de certo modo, de Yêdamaria, minha amiga particular e artista plástica que estava na plateia e não na mesa (!), ela vem se destacando dentro e fora do país. Era a única mulher da mesa, nisso que me referia às ausências no início do texto. Digo ausência porque, por exemplo, Lídia Lisboa e a persona que vos escreve foram contempladas pelo II Prêmio Nacional Expressões Culturais Afro-Brasileiras de 2012, promovido pelo poderoso MinC e pela Fundação Cultural Palmares, por que não? No ano passado, os artistas visuais contemplados foram Rosana Paulino e Alexa Hornest, ambos estavam na mesa redonda. Além disso, também estava presente a talentosa Janaina Barros, sobre a qual escreverei um texto muito em breve. Enfim, o sexismo norteia as escolhas dentro do espaço do Museu Afro Brasil, no acervo são pouquíssimas as mulheres presentes, movimento que vai na contramão do mercado de arte, ainda que o grupo Guerrilla Girls, que já foi abordado aqui no blog, questione os lugares das mulheres nas artes, e é mister fazê-lo, as artistas que mais valem no exterior atualmente são duas mulheres, Adriana Varejão e Beatriz Milhazes, pois é sim.
A iniciativa foi histórica, como reconheceu Claudinei Roberto, queremos e precisamos de mais. 
Parabéns aos artistas, parabéns, ao Museu Afro Brasil! Que se repita!!

Da esquerda para a direita: Marcelo De Salete, Neco Soares, Tiago Gualberto, Rosana Paulino, Sidnei Amaral e Alex Hornest.








segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Artista de verdade usa roupa com brilho!!!

Lembro da minha mãe falando, quando eu era mais nova, e víamos nas ruas alguém com vestimenta cheia de paetês (era moda nos idos 1980):"pensa que é artista?".

Outrora, quem usava roupas brilhantes ou exuberantes eram os artistas e os mais loucos, diga-se de passagem. Hoje qualquer pessoa mais livre dos padrões usa um brilhinho. tenho muito lurex no armário e gosto.

Mas, voltando aos artistas, como o brilho, a exuberância e etc., hoje é bem vista em qualquer mortal, as pessoas não são mais consideradas estranhas por isso, parece que os artistas resolveram ficar mais apagadinhos. Não tem nada mais triste do que um artista que se veste como se estivesse indo à padaria comprar pão: calça jeans, camiseta e tênis surrado. A não ser que ele seja um  roqueiro grunge perdido no tempo. Fora isso, tem que criar um estilo diferenciado. O povo gosta de artistas por isso mesmo, porque eles se vestem e agem daquele jeitinho que gostaríamos de fazer se não tivéssemos tantas amarras criadas pelas cordas das convenções sociais e pelo "senso" de normalidade, do padrão.

Postei no Facebook outro dia que não considero nada mais constrangedor do que um cover. Não mudei de ideia, entretanto, compreendo perfeitamente alguém que tenha o desejo ardente de ser um Ney Matogrosso, uma Madonna, um Michael Jackson, um Jimi Hendrix, uma Elke Maravilha, um David Bowie. Tem tanta gente maravilhosa, com atitudes inovadoras, chocantes, autênticas, é normal se projetar nestas personalidades. Agora tentar ser um artista 24 horas, é outra coisa.

Neste textinho quero prestar minha homenagem a essa gente irreverente que veio ao mundo somente para chacoalhar a rotação, para tirar o planeta Terra desta linearidade.

Que maravilha estes artistas no sentido amplo da palavra. No século 21, acredito que este tipo de artista esteja em extinção, que estejam acabando. A globalização é uma pasteurização econômica, social e cultural, e a gente vai se globalizando no sentido perverso para o qual atentou o geógrafo Milton Santos (1926 - 2001),vamos ficando todos padronizados e esquecendo destas diferenças que nos enriquecem enquanto seres humanos, considerando o distinto como estranho, como errado, como qualquer coisa negativa. Bem, é aquela história, não se agredindo e nem ofendendo o outro, que mal tem, né?

Por essas e por outras, na atualidade temos bem poucos artistas que conseguem abarcar estas qualidades tão ousadas. Acho que no Brasil só consigo pensar na linda Gaby Amarantos, a única que se atreve e que foi tema do primeiro texto do ano deste blog: minina abusada! Ah, lembrei também da Karina Buhr. Vi uma apresentação dela na MTV que me deixou sem ar. O único programa bom da MTV, o do China. Eita, mininu porreta.

Lá fora, eu me lembro do Marilyn Manson, que choca, mas que banca. Alias, para quem pensa que esse pessoal é louco, muito se engana. Quem o viu fazendo um depoimento sobre a violência no filme do Michael Moore, Tiros em Columbine, de 2002, viu o moço com um discurso consciente e coerente sobre a influência que seus vídeos musicais podem causar nos jovens. Muy inteligente! A Lady Gaga é outra que não é cantora, é performer, artista. Cada vez que ela aparece é um espetáculo diferente. A Bjork, nem quero comentar, acho que ela é insuperável. Bom, apresento abaixo algumas destas pessoas que me deixam de queixa caído. Eu não quero ser John Malkovich, quero ser artista e fazer show!

Jimi Hendrix (1942 - 1970) criou um estilo único que mescla o rock e as raízes rurais do gênero, o coletinho demarca esta herança.
Cindy Lauper surgiu no mesmo momento que outra diva pop, Madonna. Cabelos super coloridos, maquiagem demarcada e brilhante, luvas com dedos cortados, ela conseguiu misturar o punk inglês com o mundo pop. Fazendo a linha menina-mulher da pele branca Cindy Lauper, hoje em dia, é uma artista madura e que continua pesquisando muito, entretanto, com visual mais sóbrio.
A jamaicana Grace Jones começou como modelo e se tornou atriz e cantora. Seu porte incomum a fez um mito de beleza e de irreverência. Aqui ela apresenta visual que lembra os moicanos, mas também se assemelha com uma ave.

O grupo Secos e Molhados dispensa apresentações. O figurino e maquiagem das aparições se assemelham aos do grupo norte-americano Kiss, porém dizem que eles começaram a se maquiar desta forma antes dos norte-americanos. Corpos seminus e sensualizados, pintados, repletos de plumagens e brilhos, este foi o Secos e Molhados. Abaixo, o astro Ney Matogrosso que deu continuidade à irreverência do grupo e trouxe este glamour até os dias de hoje. 

Gaby Amarantos é um presente para a MPB, isso sim é MPB. Ela é linda, não é formatada, é autêntica e muito atrevida, das letras de músicas aos figurinos que são sempre diferentes, sejam aparições em programas de televisão sejam nos shows. Ela merece todo o sucesso que tem colhido. Que nos inspiremos nesta representante do estilista Thierry Mugler em terras brazucas.
Madonna é Madonna. Depois de décadas, ela continua com vigor para inovar sempre em seus figurinos. De menina rebelde à mulher sensual, de moça católica à dançarina da disco, ela vai se reinventando a cada novo álbum, inclusive, sem medo de modificar as madeixas que já foram loiras, pretas e agora ruivas, mas a cor original é castanho. 
David Bowie que é cantor, compositor, produtor musical e lindo e elegante para todo o sempre, criou um personagem chamado Ziggy Stardust no início dos anos de 1970, que, posteriormente, foi eliminado pelo próprio cantor. O personagem era amante das drogas, andrógino e fashion. observe que ele já usava batom vermelho.
Lady Gaga não é cantora, cada video clipe dela é uma performance. As coreografias são de praxe para qualquer cantor ou cantora que desejar se aproximar do público, isso é prática comum atualmente. Todavia, a lady não se restringe a isso, ela elabora todo um visual que combina dança, figurino, filmagem e arrasa, seja vestida de carne ou de plástico filme, ela é das mais originais.
Inteligentíssimo e antenado no mundo, o cantor Marilyn Manson e sua aparência "burtiniana" vieram para chocar as famílias "decentes" já desacostumadas com os astros mais originais e provocadores. O músico e pintor abusou das cores escuras, do visual dos clássicos filmes de zumbis e das opiniões polêmicas para fazer fama, mas isso é um personagem. Quem assistiu à alguma fala do cantor sabe o quanto ele é coerente e que desejou apenas fazer fama a partir das incoerências da vida, como a união dos nomes Marilyn (Monroe) e (Charles) Manson.
Michael Jackson (1958 - 2009) foi único. À parte seus graves problemas familiares e sexuais, ele foi o grande inventor dos videos clips e, ainda por cima, desde menino foi se reinventando. Primeiro com os irmãos em The Jacksons ou Jacksons Five, depois, na careira solo com sua calça cigarrete, soquetes brancas e mocassim preto. Ah, a jaqueta de couro vermelha e as luvas brancas também viraram clássicos. Talvez ele seja um dos cantores mais imitados de todos os tempos junto com Elvis Presley. Puxa, que pena que ele se foi. Totalmente show!
Conheci Karina Buhr em um ensaio fotográfico para a revista LOLA, que fiz à convite de Luara Calvi, minha amigona, linda, loura e inteligente. Na hora nem sabia quem era e a achei bem simplesinha. Depois a vi no palco e não era a mesma pessoa, era um furacão. Performance é com ela mesma, coisa linda e corajosa de ver hoje num ambiente musical onde cada quer ser mais "cool" que o outro e compreendem cool fazendo cara deste mesmo fonema e seu significado em português. Fora as maquiagens dela, que são lindas, são arco-íris.

O inglês Boy George é herdeiro da androginia de David Bowie. Mas, ele era muito mais feminino e ousado com seus cabelos trançados à maneira jamaicana. Quando eu era criança adora ver, adorava dançar as suas músicas alegres e sentimentais. Outra coisa, ele andava sempre maquiado, com olhos bem marcados e blush pra que te quero.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

"Uma andorinha só não faz verão, mas pode acordar o bando todo."

Um sarau (do latim seranus, através do galego serao) é um evento cultural ou musical realizado geralmente em casa particular onde as pessoas se encontram para se expressarem ou se manifestarem artisticamente. Um sarau pode envolver dançapoesia, leitura de livrosmúsica acústica e também outras formas de arte como pintura e teatro. Evento bastante comum no século XIX que vem sendo redescoberto por seu caráter de inovação, descontração e satisfação. Consiste em uma reunião festiva que ocorre à tarde ou no início da noite, apresentando concertos musicais, serestas, cantos e apresentações solo, demonstrações, interpretações ou performances artísticas e literárias. Vem ganhando vulto por meio das promoções dos grêmios estudantis e escolas.
Em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sarau

Este post é meramente uma homenagem...

A poesia acima é do dito cujo.

Em 2010, conheci o Sarau do Binho, que acontecia num bar, na esquina de uma rua do Campo Limpo. Como disse Débora Marçal, do grupo de teatro As Capulanas, "uma encruzilhada feminina", porque terminada em "t". Ou seja, do ponto de vista místico-religioso, já seria uma esquina com uma concentração de energia forte. Sendo um bar, então, nem se fala... Exus, Zé Pilintras (e Pilantras), Pombas Giras e outras entidades noturnas, certamente, se encostavam em uma das mesas para ouvir, apreciar, refletir e rir (por que não?), das poesias, músicas, causos e outras manifestações de arte apresentadas pelos frequentadores do Sarau do Binho.
Para a vizinhança do entorno, aqueles deveriam ser um bando de loucos desocupados, como os eram para mim também. Pois é, o desconhecimento é a pior das armas, quero dizer, ter um conceito antes de conhecer, o preconceito. Moradora da Zona Oeste desde 2005, eu nunca havia ouvido falar deste Sarau. Morei três anos num local muito próximo do Sarau do Binho, mas não o conhecia. O mundo acadêmico não me deixava enxergar além disso, das citações, da competição, por vezes, não percebida, não consciente, em busca de um determinada (re)conhecimento; do dia a dia do trabalho certinho, acorda às 06h, trabalha até as 18h, etc. Não tinha tempo pra muita coisa, mas teria para ir ao Sarau do Binho se tivesse sabido dele antes. Gostaria de ter aproveitado casa segunda-feira com essa gente diferenciada.
Conheci um moço aí, bonito, naturalmente elegante, inteligente, meio maluco, meio sensível, meio viajante (em todos os sentidos, territoriais e mentais), que me apresentou o Sarau do Binho. Moço que hoje é meu companheiro de ideias, amores, loucuras e tremores.
Cheguei quieta com o olhar desconfiado. O Binho estava com metade da cabeça com barba e cabelo e a outra sem, toda raspada. Meio duas caras. Isso já me chamou a atenção e pensei: "que cara louco!". Depois fui confirmando que ele era louco mesmo, desses loucos de pedra que desafiam o sistema a partir de ações pontuais, aparentemente despretensiosas; ações voltadas à cultura, que desafio mais perigoso.
Em meio às apresentações no pequeno palco com fundo vermelho e amarelo, às cervejas, pastéis e panquecas, às risadas estridentes, os artistas iam se apresentando, mostrando suas ideias, suas poéticas, seus ideais, suas críticas. E as pessoas iam se educando. Se os universitários sentam numa mesa de bar para conversar com os professores após as aulas, o povo das periferias, mas precisamente do Sarau do Binho, sentava com o Binho e com seus escudeiros de Sarau: o poeta Luan Luando, o MC Zinho Trindade, a poeta Tula Pilar e seu filho pródigo Pedro, o poeta e educador Allan da Rosa... Ali conheci grandes artistas ainda não reconhecidos pelo mercado e sistema de arte. Não sei se não reconhecidos ou se há um receio, medinho das proposições dos mesmos. Assiti as Capulanas, As Clarianas, o Umoja, o Preto Soul, o Clariô, o Caruru, o Ualdo, enfim, vários artistas com algo de qualidade (por vezes, muita qualidade), para mostrar, para compartilhar. E era uma delícia ir para lá todas as segundas-feiras, desde que eu conheci o Sarau do Binho, quase uma obrigadação espiritual. Como disse Rafael Franja, menino esperto profissional: "era como uma religião", algo assim, como um culto, o nosso terreiro, a nossa igreja. Até nos meus dias de tristeza profunda, este Sarau me dava um alento. Já fui para lá com o coração estilhaçado... Engraçado que o Binho e a Suzi, a companheira de uma vida, de luta, são tão sensíveis que sempre perceberam sem falar muito, mas sempre com um sorriso, um abraço, um carinho na hora certa, coisa rara hoje em dia, carinho.
O Binho e a Suzi têm carinho e conhecimento para compartilhar com as pessoas, são sacerdotes da cultura humanista, a que forma pessoas sem esperar nada em troca a não ser seres humanos mais críticos, bem informados e sensiblizados uns com os outros.
Neste dia 03 de setembro aconteceu o último Sarau do Binho neste espaço, neste bar. Um Sarau onde cada um levou um alimento e uma bebida. 
Foi lindo, foi melancólico...
O Sarau do Binho continua em outros espaços como o do grupo de teatro Clariô. Acompanhe a agenda:

Há outros saraus na cidade de São Paulo, nenhum como o do Binho, claro. Entretanto, é necessário fortalece-los para que continuem com seus objetivos de propagar e democratizar a arte, e o melhor, o fazer arte. 
Na "Agenda da Periferia" há mais informações sobre cada um deles e as programações respectivas:
www.agendadaperiferia.org.br/

Não deu para fotografar todo mundo, mas com os retratos abaixo eu gostaria de agradecer a todas as pessoas que conheci neste Sarau, que me fez melhor do que eu era.


Binho, das pessoas mais inteligentes, humildes e queridas que conheci nesta vida.  Idealizador do Sarau que leva seu nome.
Binho e Tula Pilar no palco. Esta poeta tem encantado a todos com suas poesias sinceras e ousadas, com sua postura ativa e altiva e com seu sorriso. Um dos presentes que ganhei frequentando o Sarau, se tornou mestra e amiga.
Outra poeta que tem demonstrado ser mais que dançarina e atriz, faz parte da Cia de Arte Negra, As Capulanas, e ainda tem tempo para compor sobre um erotismo e sexo que vai do doce ao amargo. 
Josiel, sempre breves saudações.
Douglas, um dos frequentadores.
João Claudio ou simplesmente J. Cineasta, poliglota, viajante e inteligentíssimo. Além de ser uma excelente companhia para uma cerveja.
Martinha, linda, atriz e cantora do Grupo Clariô de Teatro.
Tula Pilar.
Uma destas colegas que a gente comversa, conversa e nunca pergunta o nome, sabe? Sempre trocamos sorrisos e saudações.
Alisson da Paz, outra cineasta frequentador do Sarau do Binho.
Gil Marçal, coordenador do VAI e frequentador do Sarau.
Carla Lopes, produtora cultural, atriz e querida!
Manoel Trindade, quem me apresentou o Sarau do Binho e mais um monte de coisas. Percussionista e educador musical.
Daniela Embon, produtora e cineasta, ou trabalha com cinema. Meiga e feliz, assim que sempre vi a Dani por lá.
Allan da Rosa, educador, poeta, capoerista e uma das pessoas mais queridas que conheci por lá. Com a cabeça cheia de ideias e o coração repleto de afetos.
... poesia...
O Fábio Véio, da banda Preto Soul.
Serginho Poeta.
Moça que a gente conversa mais via Facebook, me esqueci do nome, mas não das conversas.
Caco, do coletivo de poetas Maloqueirista.
Este senhor sempre declama de forma inflamada, alma inflamada.
Ane Alves, simplesmente "darling".
Jeny e Day, queridas. Jenyffer Nascimento tem se mostrado uma grande poeta, além de dançarina nas horas vagas. 
Mara Esteves, pura simpatia e engajamento.
Augusto Cerqueira e sua amiga que conheci neste dia. As poesias dele são de quebrar tudo.
Pablo, sem esconder a tristeza com o fechamento do Sarau do Binho. Esconder para quem e para quê?
Renato Palmares, outros dos poetas.
O conheço por Índio, apenas isso. Com sorriso sempe iluminado.
Cineasta e falante Peu Pereira, sempre pronto para reflexão, para trocar ideias.
O poeta Paulo e a coordenadora de blibliotecas da SMC Rosa Falzoni: muito carinho!
Helena Silvestre, sempre na luta pelo povo!
Carol, conjunção de juventude, beleza e politização. Não se engane!
A irmã do Binho, não conversamos nada, ela é bem quieta, mas sei que ela é poeta.
Carlos Carlos, cinegrafista radical e necessário.
Baltazar, poeta MC da banda Preto Soul que surgiu no Sarau do Binho.
A Ísis, assim como eu, era uma frequentadora plateia, destas sempre atentas.
Guinão, idealizador da banda Preto Soul.
O MC e poeta Zinho Trindade.
Muitos sorrisos...
... muitos afetos...
... muitos cantos...
... resistência... Olha, nosso estandarte!
O querido Will Cavagnolli, fashion rocker!
...olhares... 
A Cris, a Suzi Soares (maravilhosa!) e o Pedro, grande poeta aos  16 anos...
Will e sua filha Ceci. 
" Eu que estou te filmando".
Dêssa Souza, da banda Preto Soul e Ceci. 
... poesia, mais um pouco...
Fino Du Rap. 

Michelle Correa, conheci enquanto ela ainda trabalhava no bar do Sarau do Binho. Ela estreou os cabelos ruivos no último dia de Sarau. Ficou mais linda ainda.
Adriano, poeta.
Thiago, que desenvolve um trabalho importante e necessário na Casa da Mulher.
Fernanda Mourão, maquiadora e menina-mulher.
Pow!!!
Nay Mahin, dançarina e linda, nas horas vagas.
Victor, contrabaixista e colega de festas, na atualidade.
Isso é gente bonita, não gente alta, magra e mal humorada.
Elaine Geissler, cantora e ruiva.
Nóis!
...Nóis...
...Nóis... E depois de Nóis...
...É Nóis de novo... Palavras de Luan Luando, poeta da trupe do Sarau do Binho.
 Ah, e gostaria de lembrar destes nomes, pessoas que vi e conheci no Sarau do Binho: Elizandra Souza, Guma Fotógrafo, Giva, Juliana Barros, Leandro Nascimento, Akins, Claudinho, Kátia Paixão, Vitória, Carolzinha Teixeira, Maria Pazzini, Naruna Costa, Naloana Costa, Fernanda Coimbra, Cristina Roseno, Flávia Rosa, Débora Marçal, Adriana Paixão, Alânia Cerqueira, Euller, Toninho Poeta, Marquinhos, Sidnei.